terça-feira, 23 de junho de 2009

Não há conciliação entre a crença e a descrença, o não-pensar e o pensar, o não-ser e o ser, a mentira e a Verdade. Saber ou não saber, eis a questão. A inteligência e o coração são afins com a Verdade; se a primeira analisa, esquadrinha, o segundo pressente, confirma. A fé no que se desconhece é um mergulho na escuridão.

A convicção de Sócrates era que o homem deveria conhecer a si mesmo, e estar sempre a prestar contas a si mesmo sobre a sua conduta e maneira de pensar. E que o início do aperfeiçoamento consistiria no reconhecimento da própria ignorância.

Sócrates, com as suas perguntas, ameaçava o poder constituído. Ele conseguia reunir muitos jovens em torno de si e foi visto como um corruptor perigoso da juventude , acusado de ateísmo. Exortava a todos que não se preocupassem tanto com o corpo e as riquezas, mas com a alma, tornando-se pessoas boas. Era o sábio que dizia nada saber, e que poderia ter sido, àquela época longínqua, um ponto de inflexão da cultura e dos costumes, mas não o foi. Derrotado pelos poderosos tomou da cicuta, cumprindo, com as próprias mãos, o destino que já lhe havia sido imposto.

Quando ele afirmou que Sócrates era imortal, quis significar que seus pensamentos e ideias sobreviveriam à sua morte e seguiriam pelos séculos como fachos luminosos para as inteligências que se decidissem por pensar.

Ao término de seu discurso de defesa acrescetou: " É chegada a hora de partir: a mim, para morrer; a vós para viver. Quem de nós enfrentará o melhor destino é desconhecido de todos, exceto de Deus".

Nagib Anderáos Neto
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