Tudo o que sei é que nada sei, teria dito Sócrates, a personagem de Platão. Eu menos, pois nem sei se nada sei, escreveu Fernando Pessoa no poema Agnosticismo Superior.
O agnosticismo só admite conhecimentos adquiridos pela razão e evita qualquer conclusão não demonstrada. Ele trata as questões metafísicas como discussões inúteis, por serem, em sua visão, realidades incognoscíveis.
Quem formulou o tema por primeira vez foi o biólogo inglês Huxley no século XIX. Em sua origem, a palavra significa aquilo que é oposto ao conhecimento. O sentido empregue pelo cientista parece ter sido de que Deus jamais poderia ser conhecido.
Os homens criaram um deus a sua imagem e semelhança, uma personagem na qual se poderia acreditar ou não. Nesse sentido, o agnóstico seria a pessoa que não aceita ou não acredita naquela invenção, pois o deus criado pelos homens expulsou-os do paraíso por terem eles provado o fruto proibido do conhecimento, quando uma inteligência esclarecida haveria de supor que somente através dele, o conhecimento, se poderia aproximar-se Dele.
Paradoxalmente, os agnósticos não acreditam também na não existência de Deus, pois da mesma forma, para eles, que a existência de Deus não pode ser provada pela razão, sua inexistência também não o pode.
São lucubrações realmente confusas. Se Deus se confunde com a própria criação, como um homem se confunde com sua vida, seus filhos, seus amigos, suas obras, Ele pode, sim, ser conhecido.
O conhecimento do Universo físico, tal como a ciência tem empreendido, é uma forma de se chegar a Ele. O conhecimento da figura humana em sua conformação psicológica e espiritual, além da biológica, é também uma complementação daquele. Pensamentos, sentimentos e emoções não são físicos, manifestam-se através do corpo, mas são metafísicos e cognoscíveis. Se atentarmos bem, a realidade do mundo metafísico é tão ou mais eloqüente que a do físico, por ser aquele o mundo das idéias, dos ideais, dos projetos, dos sentimentos, dos pensamentos e sonhos. Ao sonhar, podemos vivenciá-lo como quando experimentamos uma maçã. Todo artista toca neste mundo ao criar a sua obra e experimenta uma sensação sublime e indizível ao fazê-lo. Qualquer ser humano ao sonhar adentra a este mundo ao tornar-se ator e espectador naquela viagem.
Para os evolucionistas, o homem e o macaco teriam uma ascendência comum. Eles descartam a existência de Deus e concebem todo o Universo como obra do acaso. Os criacionistas cristãos acreditam que Deus criou o mundo como ele é; e assim também o homem. Os criacionistas evolucionistas julgam que Deus criou e foi o início de um Universo em permanente movimento, evolução e transformação, e que está presente em sua Obra.
Não podemos deixar de considerar que a biologia evolutiva é uma realidade e que há muito que descobrir e aprender sobre o processo evolutivo. A realidade da evolução é incontestável; e o homem pode experimentá-la dentro de si conscientemente, e não apenas constatá-la materialmente. A evolução não se dá apenas por seleção natural. No homem ela pode ser realizada por seleção mental de pensamentos e idéias que tendam à evolução. Por tal fato, não é uma ilusão ponderarmos que somos súditos privilegiados nesta parte do Universo conhecida por termos mente e sensibilidade; capacidade de criar.
A crise que se vive, mais do que ambiental e cultural é uma crise espiritual que tem afastado o ser humano de seus irmãos pelos fanatismos, pela idolatria e pela ignorância. Tudo evolui. O homem precisa evoluir, mental e espiritualmente falando, para deixar de ser cético e crente no que desconhece. Só o conhecimento libera; e a ele não se chega senão através de processos que tendam à evolução.
Não somos um tipo de macaco que reluta admiti-lo. Somos seres humanos que evoluem biologicamente e que podem chegar a fazê-lo espiritualmente se decidirem tomar as rédeas do próprio destino e transformar-se psicológica e espiritualmente; à matemática biológica se deverá agregar a psicológica e espiritual que permitirão a complementação da evolução material. O Universo e o homem não são relativos.
O ponto de conciliação entre criacionistas e evolucionistas parece ser aquele que aponta o Universo como a face visível de Deus, e suas Leis, a invisível.
O homem nasceu para ser livre. Sua tristeza é ver-se acorrentado à escravidão mental imposta por preconceitos que sobrevivem em sua mente incompreensivelmente. Cada qual pode ser seu próprio Deus experimentando aquela liberdade e a consciência de existir. Os grilhões mentais são mais cruéis que os que sangravam os corpos de nossos antepassados que aqui foram a nossa vergonha e também a de Darwin.
Nagib Anderaos Neto
WWW.nagibanderaos.com.br
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Conhecimento Versus Agnosticismo
Marcadores:
Agnosticismo,
Biologia Evolutiva,
Darwin,
Deus,
Evolucionismo,
Huxley,
Logosofia,
Platão,
Sócrates
terça-feira, 21 de julho de 2009
Voltaire e o Próprio Jardim
Eu lera que cada um deveria cuidar do próprio jardim naquele curioso livro de Voltaire, o Cândido. Não sei por qual motivo me interessara pelo filósofo francês. Estávamos no início da década de setenta, e a rebeldia era um fator comum na juventude universitária que gostava de ler, contestar, participar das transformações que ocorriam no âmbito das idéias por todo o mundo.
François Marie Arouet de Voltaire fora um rebelde. Insurgira-se contra o poder estabelecido pela nobreza e o clero;suas obras críticas fizeram com que vivesse boa parte da vida fora do país, fugido, escondido, disfarçado. A idéia de justiça fora a base de seus princípios éticos. Era contrário à intolerância, à superstição e ao fanatismo causador das guerras. Os verdadeiros benfeitores da humanidade não seriam os generais, senão os filósofos, os cientistas, os poetas.
Ele foi considerado o príncipe do Iluminismo, das luzes, da clareza. Teve seus escritos queimados e foi difamado por ter lutado pelas liberdades individuais, pela tolerância, pela paz, contra as injustiças. Seus principais inimigos eram as superstições e o fanatismo que levavam ao crime e à “loucura infernal“. Tinha esperança numa nova geração onde imperasse o reino da razão, e um conceito avançado de Deus como sendo a inteligência disseminada na Natureza; era contrário à tendência corrente de impingir em Deus características humanas. Terminou seus dias cético, mergulhado num mundo fanatizado por idéias, fronteiras, etnias e religiões diversas.
Do Cândido recordo-me do jardim - a metáfora que indicava que cada um deveria cuidar muito bem da própria vida -. Mas como? Como cuidar dela como se fosse um jardim, cultivando plantas e árvores que a embelezassem e compusessem a paisagem de uma rua, uma cidade, um país? Como deixar de se ocupar dos jardins alheios, ficando o próprio descuidado, desarrumado, cheio de ervas daninhas e flores murchas?
Com o tempo e os anos que se sucederam compreendi que a vida deveria ter um significado e um objetivo claro ; que viver por viver acabaria por levar a mim - ou a quem assim o fizesse - para um beco sem saída, um muro de lamentações e desditas; que viver deveria significar, antes de tudo, aprender a se conduzir por estes caminhos, tantas vezes tortuosos, criados pela incompreensão humana; que dentro desta grande oportunidade eu poderia aprender a conviver com os semelhantes.
Muitos anos depois eu leria numa conferência pronunciada por González Pecotche em Buenos Aires que cada um deveria deixar de se ocupar das mentes alheias. Recordei-me das antigas leituras juvenis e da rebeldia do filósofo francês. Deixar de ser autômato, comandado por preconceitos seculares, pensar por própria conta, ocupar-se da própria vida,para que ela pudesse se transformar num belo jardim.
“A vida deve ser cuidada e enaltecida; devem ser cultivadas todas as possibilidades que encerra e fazer dela um jardim, que seja apenas pela felicidade de recolher, de quando em quando, de cada planta que a própria mão semeou, cultivou e aperfeiçoou, uma flor. O conjunto de todas estas plantas serão as obras realizadas; as flores, as conseqüências úteis dessas obras. Porém, a planta principal, a planta humana, na qual se concentram todos os movimentos da concepção interior, esta merece o maior dos cuidados e a maior atenção” dissera o pensador Pecotche numa palestra preferida em Montevidéu no ano de 1947.
NAGIB ANDERÁOS NETO
www.nagibanderaos.com.br
François Marie Arouet de Voltaire fora um rebelde. Insurgira-se contra o poder estabelecido pela nobreza e o clero;suas obras críticas fizeram com que vivesse boa parte da vida fora do país, fugido, escondido, disfarçado. A idéia de justiça fora a base de seus princípios éticos. Era contrário à intolerância, à superstição e ao fanatismo causador das guerras. Os verdadeiros benfeitores da humanidade não seriam os generais, senão os filósofos, os cientistas, os poetas.
Ele foi considerado o príncipe do Iluminismo, das luzes, da clareza. Teve seus escritos queimados e foi difamado por ter lutado pelas liberdades individuais, pela tolerância, pela paz, contra as injustiças. Seus principais inimigos eram as superstições e o fanatismo que levavam ao crime e à “loucura infernal“. Tinha esperança numa nova geração onde imperasse o reino da razão, e um conceito avançado de Deus como sendo a inteligência disseminada na Natureza; era contrário à tendência corrente de impingir em Deus características humanas. Terminou seus dias cético, mergulhado num mundo fanatizado por idéias, fronteiras, etnias e religiões diversas.
Do Cândido recordo-me do jardim - a metáfora que indicava que cada um deveria cuidar muito bem da própria vida -. Mas como? Como cuidar dela como se fosse um jardim, cultivando plantas e árvores que a embelezassem e compusessem a paisagem de uma rua, uma cidade, um país? Como deixar de se ocupar dos jardins alheios, ficando o próprio descuidado, desarrumado, cheio de ervas daninhas e flores murchas?
Com o tempo e os anos que se sucederam compreendi que a vida deveria ter um significado e um objetivo claro ; que viver por viver acabaria por levar a mim - ou a quem assim o fizesse - para um beco sem saída, um muro de lamentações e desditas; que viver deveria significar, antes de tudo, aprender a se conduzir por estes caminhos, tantas vezes tortuosos, criados pela incompreensão humana; que dentro desta grande oportunidade eu poderia aprender a conviver com os semelhantes.
Muitos anos depois eu leria numa conferência pronunciada por González Pecotche em Buenos Aires que cada um deveria deixar de se ocupar das mentes alheias. Recordei-me das antigas leituras juvenis e da rebeldia do filósofo francês. Deixar de ser autômato, comandado por preconceitos seculares, pensar por própria conta, ocupar-se da própria vida,para que ela pudesse se transformar num belo jardim.
“A vida deve ser cuidada e enaltecida; devem ser cultivadas todas as possibilidades que encerra e fazer dela um jardim, que seja apenas pela felicidade de recolher, de quando em quando, de cada planta que a própria mão semeou, cultivou e aperfeiçoou, uma flor. O conjunto de todas estas plantas serão as obras realizadas; as flores, as conseqüências úteis dessas obras. Porém, a planta principal, a planta humana, na qual se concentram todos os movimentos da concepção interior, esta merece o maior dos cuidados e a maior atenção” dissera o pensador Pecotche numa palestra preferida em Montevidéu no ano de 1947.
NAGIB ANDERÁOS NETO
www.nagibanderaos.com.br
segunda-feira, 20 de julho de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
Indiscrição
É um defeito horroroso que todos têm um pouquinho.As pessoas falam demais, vivem muito fora de si mesmas; sempre criticando os defeitos de outras pessoas e nunca olhando os próprios.O contrário dela é a discrição, uma virtude que pode trazer grande alegria. Como deixar de ser indiscreto e tornar-se discreto?
terça-feira, 23 de junho de 2009
Não há conciliação entre a crença e a descrença, o não-pensar e o pensar, o não-ser e o ser, a mentira e a Verdade. Saber ou não saber, eis a questão. A inteligência e o coração são afins com a Verdade; se a primeira analisa, esquadrinha, o segundo pressente, confirma. A fé no que se desconhece é um mergulho na escuridão.
A convicção de Sócrates era que o homem deveria conhecer a si mesmo, e estar sempre a prestar contas a si mesmo sobre a sua conduta e maneira de pensar. E que o início do aperfeiçoamento consistiria no reconhecimento da própria ignorância.
Sócrates, com as suas perguntas, ameaçava o poder constituído. Ele conseguia reunir muitos jovens em torno de si e foi visto como um corruptor perigoso da juventude , acusado de ateísmo. Exortava a todos que não se preocupassem tanto com o corpo e as riquezas, mas com a alma, tornando-se pessoas boas. Era o sábio que dizia nada saber, e que poderia ter sido, àquela época longínqua, um ponto de inflexão da cultura e dos costumes, mas não o foi. Derrotado pelos poderosos tomou da cicuta, cumprindo, com as próprias mãos, o destino que já lhe havia sido imposto.
Quando ele afirmou que Sócrates era imortal, quis significar que seus pensamentos e ideias sobreviveriam à sua morte e seguiriam pelos séculos como fachos luminosos para as inteligências que se decidissem por pensar.
Ao término de seu discurso de defesa acrescetou: " É chegada a hora de partir: a mim, para morrer; a vós para viver. Quem de nós enfrentará o melhor destino é desconhecido de todos, exceto de Deus".
Nagib Anderáos Neto
WWW.nagibanderáos.com.br
www.twitter.com/soaredna
A convicção de Sócrates era que o homem deveria conhecer a si mesmo, e estar sempre a prestar contas a si mesmo sobre a sua conduta e maneira de pensar. E que o início do aperfeiçoamento consistiria no reconhecimento da própria ignorância.
Sócrates, com as suas perguntas, ameaçava o poder constituído. Ele conseguia reunir muitos jovens em torno de si e foi visto como um corruptor perigoso da juventude , acusado de ateísmo. Exortava a todos que não se preocupassem tanto com o corpo e as riquezas, mas com a alma, tornando-se pessoas boas. Era o sábio que dizia nada saber, e que poderia ter sido, àquela época longínqua, um ponto de inflexão da cultura e dos costumes, mas não o foi. Derrotado pelos poderosos tomou da cicuta, cumprindo, com as próprias mãos, o destino que já lhe havia sido imposto.
Quando ele afirmou que Sócrates era imortal, quis significar que seus pensamentos e ideias sobreviveriam à sua morte e seguiriam pelos séculos como fachos luminosos para as inteligências que se decidissem por pensar.
Ao término de seu discurso de defesa acrescetou: " É chegada a hora de partir: a mim, para morrer; a vós para viver. Quem de nós enfrentará o melhor destino é desconhecido de todos, exceto de Deus".
Nagib Anderáos Neto
WWW.nagibanderáos.com.br
www.twitter.com/soaredna
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Ingratidão
A ingratidão é sempre uma forma de fraqueza. Jamais vi um homem forte que fosse ingrato. J.W.Goethe
domingo, 14 de junho de 2009
El Libro. ( Borges, oral )
En todo Oriente existe aún el concepto de que un libro no debe revelar las cosas; un libro debe, simplemente, ajudarnos a descubrirlas.
Alejandro de Macedonia tenia bajo su almohada la Ilíada y la espada, esas dos armas.
Todo libro que vale a pena de ser releído ha sido escrito por el Espíritu.
Montaigne apunta a que el concepto de lectura obligatoria es un concepto falso. Dice que si él encuentra un pasaje difícil en un libro, lo deja; porque ve en la lectura una forma de felicidad.
Yo he dedicado una parte de mi vida a las letras, y creo que una forma de felicidad es la lectura.
Emerson coincide com Montaigne en el hecho de que debemos leer únicamente lo que nos agrada, que un libro tiene que ser una forma de felicidad.
Los lectores han indo enriqueciendo el libro.
Jorge Luis Borges
Alejandro de Macedonia tenia bajo su almohada la Ilíada y la espada, esas dos armas.
Todo libro que vale a pena de ser releído ha sido escrito por el Espíritu.
Montaigne apunta a que el concepto de lectura obligatoria es un concepto falso. Dice que si él encuentra un pasaje difícil en un libro, lo deja; porque ve en la lectura una forma de felicidad.
Yo he dedicado una parte de mi vida a las letras, y creo que una forma de felicidad es la lectura.
Emerson coincide com Montaigne en el hecho de que debemos leer únicamente lo que nos agrada, que un libro tiene que ser una forma de felicidad.
Los lectores han indo enriqueciendo el libro.
Jorge Luis Borges
Time is Flowing
Time is flowing in the midle of the night. El tiempo que fluye a midianoche .( Tennyson.)
Todo el mundo duerme, pero mientras tanto el silencioso rio del tiempo está fluindo en los campos, por los sótanos, en el espacio está fluindo entre los astros. ( Borges )
Todo el mundo duerme, pero mientras tanto el silencioso rio del tiempo está fluindo en los campos, por los sótanos, en el espacio está fluindo entre los astros. ( Borges )
Deus Não Está Morto
Quando Nietzsche disse que Deus estava morto, pode ter querido significar que se deveria conhecer o Deus verdadeiro, o do amor, e não o da culpa e do sofrimento, o da justiça, e não o do castigo que oprime e aterroriza.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Marquês de Condorcet
“Uma bela tarde em Paris, pelos fins do século XVIII, homens importantes da época reunidos na casa de distinta personagem”. Assim o escritor Bulwer Lytton, em seu romance Zanoni, ambienta um breve discurso de Condorcet, à época com grande reputação. E o nobre francês de nascimento, ali transformado em personagem, falou com toda a eloqüência:
“É absolutamente necessário que a superstição e o fanatismo cedam lugar à Filosofia. Os reis perseguem as pessoas, os sacerdotes perseguem as opiniões. Quando não houver reis, os homens estarão seguros; quando não houver sacerdotes, o pensamento será livre. Então começará a Idade da Razão! Igualdade de instrução, igualdade de instituições, igualdade de fortunas”.
“Sob a mais livre das constituições, um povo ignorante é sempre escravo”, escreveu certa vez o inspirado francês Marie-Jean-Antoine-Nicolas Caritas Condorcet.
Literato, filósofo, economista, matemático e político, sucumbiu numa prisão parisiense no ano de 1794 nas mãos dos terríveis jacobinos liderados por Robespierre, depois de ter colaborado ativamente naquele movimento revolucionário que pretendia acabar com os desmandos de uma monarquia abusiva, mas acabou tornando-se o primeiro grande movimento terrorista de que se tem noticia. “A arma da Revolução é o terror”, afirmava Robespierre, o pai de todos os terroristas, transformado em personagem na “Morte de Danton” do escritor George Buchner; e a Revolução Francesa o berço dos indignados que imaginavam que o terror e a violência pudessem resolver as desavenças que a inteligência e a sensibilidade humanas não souberam conciliar; e o inspirado Marquês de Condorcet, uma das mais ilustres vitimas do terror naquele tempo.
Condorcet concebia a possibilidade do aperfeiçoamento humano. Foi contagiado pelo otimismo e indignação de Voltaire, de quem foi editor, contra os impostores e ditadores.Em “Esboço de Um Quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano”, sua visão otimista fica muito evidente, contrapondo-se ao pessimismo de alguns pensadores da época. Foi vítima do terror por ser contrário à hegemonia ditatorial dos jacobinos - impostores de estreitas luzes que até hoje têm assento em muitas instituições - que não admitiam oposição de nenhuma espécie e se refestelavam no poder indefinidamente. Considerava que o desenvolvimento humano não poderia coexistir com os preconceitos e as crenças, pois estaria alicerçado na liberdade de pensar; que o progresso coletivo dependia do progresso dos indivíduos, material e espiritualmente falando.
Condorcet idealizou a escola pública na França que foi modelo para todo o mundo; defendeu as liberdades da mulher, as aposentadorias e pensões, o combate às guerras, o controle inteligente da natalidade.
Com tantas idéias, vontade de viver e otimismo, ele morreu solitário nos porões do terror, sufocado pelo ódio dos poderosos para os quais tudo se resume no poder, na riqueza e no jogo de seus mesquinhos interesses.
O que os impostores e os ditadores não compreendem é que os pensamentos criados pelos Condorcet sobreviverão e chegarão às mentes de muitas pessoas no futuro, transportando os ideais de progresso e aperfeiçoamento humanos através do fomento ao estudo e à educação; e que violência alguma conseguirá calá-los. Os homens do futuro poderão liberar-se das amarras seculares que engendram os ódios, os rancores e as guerras.
A humanidade deve muito ao Marquês de Condorcet e haverá de honrar a sua memória comungando com os nobres ideais que inspiraram a sua vida.
Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
“É absolutamente necessário que a superstição e o fanatismo cedam lugar à Filosofia. Os reis perseguem as pessoas, os sacerdotes perseguem as opiniões. Quando não houver reis, os homens estarão seguros; quando não houver sacerdotes, o pensamento será livre. Então começará a Idade da Razão! Igualdade de instrução, igualdade de instituições, igualdade de fortunas”.
“Sob a mais livre das constituições, um povo ignorante é sempre escravo”, escreveu certa vez o inspirado francês Marie-Jean-Antoine-Nicolas Caritas Condorcet.
Literato, filósofo, economista, matemático e político, sucumbiu numa prisão parisiense no ano de 1794 nas mãos dos terríveis jacobinos liderados por Robespierre, depois de ter colaborado ativamente naquele movimento revolucionário que pretendia acabar com os desmandos de uma monarquia abusiva, mas acabou tornando-se o primeiro grande movimento terrorista de que se tem noticia. “A arma da Revolução é o terror”, afirmava Robespierre, o pai de todos os terroristas, transformado em personagem na “Morte de Danton” do escritor George Buchner; e a Revolução Francesa o berço dos indignados que imaginavam que o terror e a violência pudessem resolver as desavenças que a inteligência e a sensibilidade humanas não souberam conciliar; e o inspirado Marquês de Condorcet, uma das mais ilustres vitimas do terror naquele tempo.
Condorcet concebia a possibilidade do aperfeiçoamento humano. Foi contagiado pelo otimismo e indignação de Voltaire, de quem foi editor, contra os impostores e ditadores.Em “Esboço de Um Quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano”, sua visão otimista fica muito evidente, contrapondo-se ao pessimismo de alguns pensadores da época. Foi vítima do terror por ser contrário à hegemonia ditatorial dos jacobinos - impostores de estreitas luzes que até hoje têm assento em muitas instituições - que não admitiam oposição de nenhuma espécie e se refestelavam no poder indefinidamente. Considerava que o desenvolvimento humano não poderia coexistir com os preconceitos e as crenças, pois estaria alicerçado na liberdade de pensar; que o progresso coletivo dependia do progresso dos indivíduos, material e espiritualmente falando.
Condorcet idealizou a escola pública na França que foi modelo para todo o mundo; defendeu as liberdades da mulher, as aposentadorias e pensões, o combate às guerras, o controle inteligente da natalidade.
Com tantas idéias, vontade de viver e otimismo, ele morreu solitário nos porões do terror, sufocado pelo ódio dos poderosos para os quais tudo se resume no poder, na riqueza e no jogo de seus mesquinhos interesses.
O que os impostores e os ditadores não compreendem é que os pensamentos criados pelos Condorcet sobreviverão e chegarão às mentes de muitas pessoas no futuro, transportando os ideais de progresso e aperfeiçoamento humanos através do fomento ao estudo e à educação; e que violência alguma conseguirá calá-los. Os homens do futuro poderão liberar-se das amarras seculares que engendram os ódios, os rancores e as guerras.
A humanidade deve muito ao Marquês de Condorcet e haverá de honrar a sua memória comungando com os nobres ideais que inspiraram a sua vida.
Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
domingo, 15 de fevereiro de 2009
O Panteísmo de Emerson e Spinoza
Baruch Spinoza (1632-1677) era considerado por Ralph Waldo Emerson (1803-1882) um mestre querido. O iconoclasta sem martelo que ensinava por toda a América a ousadia da construção do destino individual foi um cientista da alegria que cedo aprendeu que o coração da Natureza batia em uníssono com o seu. O panteísmo de Spinoza encontrara um eco profundo no coração do americano que considerara que cada individuo possuía um capital espiritual próprio voltado para a beleza, a alegria, a amizade e a paz.
Emerson gostava de falar para a gente simples que o compreendia com o coração. “Cada homem, cada parte humana dessa entidade divina conhecida como humanidade, é um Deus em formação”, escrevera; e “este mundo pertence aos alegres, aos enérgicos, aos ousados”.
O panteísmo de Spinoza considerava que Deus e a Natureza são a mesma coisa; que o Universo é a realização de Deus, sua face visível, e os seus seres singulares são a manifestação de uma única substância.
Se a substância essencial e original do monismo de Spinoza está presente em tudo quanto existe, especialmente representada no homem, o amor fraterno deveria surgir no coração de todos os homens como resultado do sentimento panteísta. Onde não existe amor, não há evolução, não há ética nem moral.
“Não deverei eu chamar de Deus o Belo que diariamente se mostra para mim no dom da Amizade?”, escreveu Emerson.
Ao constatar que as grosseiras muralhas dos defeitos humanos afastam os homens criando as inimizades, não podemos deixar de considerá-los como as causas do afastamento do homem de Deus, que está magnificamente representado em cada inteligência e sensibilidade humanas que têm sido entorpecidas e petrificadas pela ignorância e pelos preconceitos.
Lutar pelo aperfeiçoamento psicológico pessoal, identificando e combatendo os defeitos que impedem o cultivo de amizades, como a intolerância, a vaidade, a ambição e o egoísmo, entre outros, é única forma inteligente de cultivar o panteísmo que aproxima o ser humano de seus semelhantes, da Natureza e de Deus, para viver o aforismo axiomático de Abrahan Lincoln:
“Quando faço o bem, sinto-me bem. Quando faço o mal, sinto-me mal; esta é a minha religião”.
A síntese do panteísmo de Emerson é que “a essência de Deus é o amor”, e “um amigo é uma obra prima da Natureza”.
“O único modo de ter amigos é ser amigo”.
Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
Emerson gostava de falar para a gente simples que o compreendia com o coração. “Cada homem, cada parte humana dessa entidade divina conhecida como humanidade, é um Deus em formação”, escrevera; e “este mundo pertence aos alegres, aos enérgicos, aos ousados”.
O panteísmo de Spinoza considerava que Deus e a Natureza são a mesma coisa; que o Universo é a realização de Deus, sua face visível, e os seus seres singulares são a manifestação de uma única substância.
Se a substância essencial e original do monismo de Spinoza está presente em tudo quanto existe, especialmente representada no homem, o amor fraterno deveria surgir no coração de todos os homens como resultado do sentimento panteísta. Onde não existe amor, não há evolução, não há ética nem moral.
“Não deverei eu chamar de Deus o Belo que diariamente se mostra para mim no dom da Amizade?”, escreveu Emerson.
Ao constatar que as grosseiras muralhas dos defeitos humanos afastam os homens criando as inimizades, não podemos deixar de considerá-los como as causas do afastamento do homem de Deus, que está magnificamente representado em cada inteligência e sensibilidade humanas que têm sido entorpecidas e petrificadas pela ignorância e pelos preconceitos.
Lutar pelo aperfeiçoamento psicológico pessoal, identificando e combatendo os defeitos que impedem o cultivo de amizades, como a intolerância, a vaidade, a ambição e o egoísmo, entre outros, é única forma inteligente de cultivar o panteísmo que aproxima o ser humano de seus semelhantes, da Natureza e de Deus, para viver o aforismo axiomático de Abrahan Lincoln:
“Quando faço o bem, sinto-me bem. Quando faço o mal, sinto-me mal; esta é a minha religião”.
A síntese do panteísmo de Emerson é que “a essência de Deus é o amor”, e “um amigo é uma obra prima da Natureza”.
“O único modo de ter amigos é ser amigo”.
Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
Assinar:
Postagens (Atom)