O famoso oráculo de Delfos, magnífica construção assentada às encostas do monte Parnaso, ostentava em sua fachada a enigmática inscrição celebrizada por Sócrates cujo significado permanece obscuro até hoje: conhece a ti mesmo. Para lá se dirigia o viajante sedento de conhecimentos levando suas inquietações e questionamentos ao deus Apolo, o deus do sol e da luz, da música e da purificação, da tranqüilidade e da beleza, cujas colunas lá permanecem até hoje desafiando o tempo. Conta-se que ele falava ao viajante através da pitonisa, sacerdotisa que intermediava o contato. Essa crença grega de que os deuses falariam aos homens através dos sacerdotes influenciou as diversas religiões que sucederam aquele período histórico.
Deus pode falar a um ser humano através de qualquer outro. Para uma criança, os pais se confundem com Deus pela proteção, amor e conhecimento que lhe transmitem. Assim também o mestre, o instrutor, o professor que junto com o ensinamento transmite a amizade. Mas Deus não precisa de nenhum intermediário para que se o sinta nas profundezas do coração, embora esteja ali presente nas palavras e nas atitudes de quem faça um bem para o seu semelhante.
O templo do conhecimento, o verdadeiro oráculo onde cada ser humano pudesse consultar a verdade, seria a sua própria consciência; poderia consultar o Deus único cuja chama arde no interior de cada indivíduo. Como a consciência está afastada das preocupações correntes do homem moderno, tão encantado pelas ficções de um mundo luminoso, colorido e sedutor, aquele oráculo não existe. A realização do sonho do encontro com o templo do conhecimento posterga-se até o dia em que o homem desperte do sono que o tem prostrado na indiferença, no materialismo e no desconhecimento de sua própria pessoa.
A inscrição délfica que apontava para o autoconhecimento não foi realizada, pois o eu profundo, a consciência, continua ignorada pela maior parte dos seres humanos. Ela continua sendo uma incógnita, a bela adormecida, como muito bem definiu o pensador González Pecotche. Seria necessário tomar contato com ela em si mesmo, e não apenas na natureza exterior, pois o conhecimento vem da experiência e a consciência é também conhecimento, que implica domínio e controle.
O processo evolutivo parte do principio consciente que se amplia e transforma à medida que o homem adquire novos conhecimentos, deixando de ser o que é para ser uma pessoa melhor, transformando sua maneira de ser e pensar, evoluindo como as espécies que se observa na natureza, como um réptil que se transforma em pássaro num salto muito rápido de evolução que os cientistas de hoje chamam de quântico, e que o homem pode realizar em si mesmo utilizando a sua inteligência e o seu coração para ampliar a consciência. A ciência comum e a filosofia são frias e especulativas, por não levar em conta o sentimento humano que é capaz de fixar o conhecimento na consciência, como muito bem assinala a Logosofia, especialidade científica e metodológica que trata da reativação consciente do indivíduo.
Alguém já disse que uma mente distraída é uma mente separada de Deus. A distração é uma ausência e uma inconsciência. É possível que Deus esteja relacionado a esse estado de atenção interior, a uma atitude consciente.
Numa sociedade doentia, onde o objetivo da vida é o prazer, as pessoas ficam felizes quando matam o tempo conquistado com suor sem se aperceberem que ao matarem o tempo matam a vida. A mola principal de uma sociedade de infelizes é o egoísmo, a ganância que promove um progresso duvidoso. A única alternativa para a catástrofe iminente é uma profunda revolução psicológica para o surgimento de uma nova sociedade formada por seres humanos que desmontem o egoísmo e o materialismo herdados de civilizações fracassadas.
O homem dever aprender a viver equilibradamente em dois mundos simultâneos: o interior e o exterior, ambos intimamente relacionados, que merecem a maior atenção. Eles se complementam e fazem parte de uma mesma e única realidade. O desequilíbrio ou a ausência de qualquer deles causa o vazio e a depressão.
Viver sempre fora de si mesmo, só para o mundo exterior é triste, vazio, incompleto. Enquanto que viver só para dentro de si mesmo é solitário, egoísta, monótono. As duas vidas, a interior e exterior, devem caminhar bem, e paralelamente. A crise em uma significa o desastre na outra.
Os seres humanos deverão transformar-se para poder voltar a se entender com o mundo. Essa transformação implica o despertar da consciência que é incompatível com um ambiente de opressão e fanatismo. A nova ordem mundial privilegiará o desenvolvimento humano, o da consciência.
Tudo o que distancie o ser humano de seus semelhantes e da natureza não é verdadeiro e é contrário a Deus, pois Ele está em tudo e em todos, e magnificamente representado em cada inteligência, em cada coração, em cada amanhecer, em cada criança, em seu maravilhoso templo exterior chamado natureza, e em seu magnífico templo interior chamado consciência.
Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
domingo, 24 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
Para Melhorar a Memória
Os cientistas dizem que as atividades intelectuais ajudam a preservar a memória; que pensar faz bem para ela. Estudos sugerem que as perdas da memória com a idade são menores em quem exercita bastante o cérebro; a massa de neurônios seria maior.
O mal de Alzheimer é uma doença irreversível; há uma correlação entre ela e a inatividade mencionada. Mas o esquecimento não é privilégio dos que têm idade avançada. Há muitos jovens esquecidos. Muitas vezes, as causas não são fisiológicas, senão psicológicas, mentais.
Regras mnemônicas ajudam a recordar o nome de uma pessoa, de uma rua. Não sobrecarregar a memória com informações inúteis, também. A mnemônica é uma arte ou técnica de fortalecer a memória através da associação daquilo que deve ser memorizado com dados já conhecidos. A palavra vem de Mnemosine, a deusa grega da memória, irmã de Cronos e Oceanos, a mãe das musas, a que saberia tudo o que foi, o que é, o que será. Possuído pelas musas, o poeta inspira-se diretamente no conhecimento de Mnemosine.
As instrutivas metáforas gregas nos ilustram sobre a importância e beleza da memória, quando devidamente cultivada e desenvolvida.
Uma forma e combater o esquecimento ou falta de memória é interessar-se pelo que se faz, pois quando existe o interesse, as experiências fixam-se fortemente nos arquivos mentais, sendo dificilmente esquecidas. E há interesse quando há atenção. Ao agir rotineira, mecânica e desatentamente, os fatos não se fixam, evaporam-se, são esquecidos.
A palavra interesse tem sua origem no latim e significa estar entre. Podemos dizer que é uma postura mental ativa diante de algo que nos chama a atenção. Leva-nos a aprofundar no objeto que estamos vendo ou analisando com os olhos mentais: a observação e o entendimento. Quando existe o interesse, os fatos, as sensações e as experiências fixam-se fortemente nos arquivos da vida, os da mente e da sensibilidade, sendo jamais esquecidos. Podemos nos interessar por uma pessoa, um animal, um objeto, uma paisagem, um conhecimento. Deveríamos, antes de tudo, interessar-nos por nós mesmos; pelo que somos e poderemos ser. O interesse implica sempre uma responsabilidade, uma profundidade, e nunca na superficialidade, como no caso da curiosidade, que pôde ter sua utilidade nas primeiras etapas da vida do homem na Terra, como o tem para as crianças que reproduzem aquela fase da evolução da espécie, mas que quando adultas deverão substituir a curiosidade pelo interesse, a superficialidade pela profundidade.
Existe um tempo para a curiosidade e um para o interesse, como um para infância e outro para a maturidade, embora devamos procurar manter em nossas mentes e corações a criança que fomos um dia como um tributo de gratidão àquela fase iluminada e feliz.
Em cartas a um jovem poeta, Rainer Maria Rilke escreveu:” Mesmo que estivesse em uma prisão, cujos muros não permitissem que nenhum ruído do mundo chegasse a seus ouvidos, o senhor não teria sempre a sua infância, essa riqueza preciosa, régia, esse tesouro de recordações? Volte a ela a atenção. Procure trazer à tona as sensações submersas desse passado tão vasto; sua personalidade ganhará firmeza, sua solidão se ampliará e se tornará uma habitação a meia-luz, da qual passa longe o burburinho dos outros”.
Pensar é diferente de recordar. Pensar é criar, resolver problemas; não é fácil e nem difícil, exige constância, dedicação. Ninguém tem dificuldade de recordar o que pensou, o que criou, como um filho, que está sempre presente na recordação.
A revivescência de fatos felizes é sempre conveniente, traz a felicidade de volta, colore a vida, e pode ser um fator de inestimável ajuda para quem esteja vivendo uma dificuldade, uma tristeza. Não recordar aqueles momentos é sinal de ingratidão, sinônimo de esquecimento, egoísmo e isolamento.
Pensar faz bem. Recordar também. Pensar faz bem para a mente que reside no cérebro, para o corpo e para o espírito que se renova com essa atividade criativa, pois pensar é criar, respirar espiritualmente.
O exercício diário da função de pensar, onde entrarão em jogo o interesse, a atenção e o entendimento, fortalece a inteligência nas leituras e na criação pessoal que qualquer um pode realizar. Será também necessário aprender a ler a própria realidade pessoal e interior, e modificá-la caso seja necessário. A ninguém está vedado desenvolver a própria capacidade mental e liberar-se da rotina monótona dos dias que se sucedem sem nenhuma renovação; basta querer, pensar e realizar.
Não existe maior triunfo para o homem que pensar com liberdade e criar um futuro feliz através da própria inspiração.
Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
O mal de Alzheimer é uma doença irreversível; há uma correlação entre ela e a inatividade mencionada. Mas o esquecimento não é privilégio dos que têm idade avançada. Há muitos jovens esquecidos. Muitas vezes, as causas não são fisiológicas, senão psicológicas, mentais.
Regras mnemônicas ajudam a recordar o nome de uma pessoa, de uma rua. Não sobrecarregar a memória com informações inúteis, também. A mnemônica é uma arte ou técnica de fortalecer a memória através da associação daquilo que deve ser memorizado com dados já conhecidos. A palavra vem de Mnemosine, a deusa grega da memória, irmã de Cronos e Oceanos, a mãe das musas, a que saberia tudo o que foi, o que é, o que será. Possuído pelas musas, o poeta inspira-se diretamente no conhecimento de Mnemosine.
As instrutivas metáforas gregas nos ilustram sobre a importância e beleza da memória, quando devidamente cultivada e desenvolvida.
Uma forma e combater o esquecimento ou falta de memória é interessar-se pelo que se faz, pois quando existe o interesse, as experiências fixam-se fortemente nos arquivos mentais, sendo dificilmente esquecidas. E há interesse quando há atenção. Ao agir rotineira, mecânica e desatentamente, os fatos não se fixam, evaporam-se, são esquecidos.
A palavra interesse tem sua origem no latim e significa estar entre. Podemos dizer que é uma postura mental ativa diante de algo que nos chama a atenção. Leva-nos a aprofundar no objeto que estamos vendo ou analisando com os olhos mentais: a observação e o entendimento. Quando existe o interesse, os fatos, as sensações e as experiências fixam-se fortemente nos arquivos da vida, os da mente e da sensibilidade, sendo jamais esquecidos. Podemos nos interessar por uma pessoa, um animal, um objeto, uma paisagem, um conhecimento. Deveríamos, antes de tudo, interessar-nos por nós mesmos; pelo que somos e poderemos ser. O interesse implica sempre uma responsabilidade, uma profundidade, e nunca na superficialidade, como no caso da curiosidade, que pôde ter sua utilidade nas primeiras etapas da vida do homem na Terra, como o tem para as crianças que reproduzem aquela fase da evolução da espécie, mas que quando adultas deverão substituir a curiosidade pelo interesse, a superficialidade pela profundidade.
Existe um tempo para a curiosidade e um para o interesse, como um para infância e outro para a maturidade, embora devamos procurar manter em nossas mentes e corações a criança que fomos um dia como um tributo de gratidão àquela fase iluminada e feliz.
Em cartas a um jovem poeta, Rainer Maria Rilke escreveu:” Mesmo que estivesse em uma prisão, cujos muros não permitissem que nenhum ruído do mundo chegasse a seus ouvidos, o senhor não teria sempre a sua infância, essa riqueza preciosa, régia, esse tesouro de recordações? Volte a ela a atenção. Procure trazer à tona as sensações submersas desse passado tão vasto; sua personalidade ganhará firmeza, sua solidão se ampliará e se tornará uma habitação a meia-luz, da qual passa longe o burburinho dos outros”.
Pensar é diferente de recordar. Pensar é criar, resolver problemas; não é fácil e nem difícil, exige constância, dedicação. Ninguém tem dificuldade de recordar o que pensou, o que criou, como um filho, que está sempre presente na recordação.
A revivescência de fatos felizes é sempre conveniente, traz a felicidade de volta, colore a vida, e pode ser um fator de inestimável ajuda para quem esteja vivendo uma dificuldade, uma tristeza. Não recordar aqueles momentos é sinal de ingratidão, sinônimo de esquecimento, egoísmo e isolamento.
Pensar faz bem. Recordar também. Pensar faz bem para a mente que reside no cérebro, para o corpo e para o espírito que se renova com essa atividade criativa, pois pensar é criar, respirar espiritualmente.
O exercício diário da função de pensar, onde entrarão em jogo o interesse, a atenção e o entendimento, fortalece a inteligência nas leituras e na criação pessoal que qualquer um pode realizar. Será também necessário aprender a ler a própria realidade pessoal e interior, e modificá-la caso seja necessário. A ninguém está vedado desenvolver a própria capacidade mental e liberar-se da rotina monótona dos dias que se sucedem sem nenhuma renovação; basta querer, pensar e realizar.
Não existe maior triunfo para o homem que pensar com liberdade e criar um futuro feliz através da própria inspiração.
Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
Assinar:
Postagens (Atom)